Um pouco sobre rótulos e os seres antiaderentes.

Um pouco sobre rótulos e os seres antiaderentes.

Essa foi a única pergunta que me fiz hoje assim que acorde, dia 01/01/2018, o primeiro dia do ano, geralmente os meus textos são longos demais, mas são longos porque as poucas palavras não resumem o que sinto, e se preciso escrever 10 ou mil linhas pra finalizar os meus pensamentos assim o faço.

Se eu fosse você viajava comigo nessa reflexão que serviu muito para me avaliar.

Quais rótulos eu tive em 2017, quais eu coloquei?

Me peguei hoje pensando que durante toda uma vida, sim uma vida e não somente um ano. Durante toda a nossa existência, somos rotulado, somos levados a nos rotular de maneira cruel.

Quer um exemplo mais simples?

Geralmente acontece na gestação, quando ainda somos um embrião, sem forma alguma, daí o primeiro rotulo vem com a esperança materna ou paterna de influenciar no desejo de ter menina ou menino, rotulo esse que não somos nos que definirmos, mas Deus (Não estou falando de ideologia de gênero, ok?) falo do simples fato de desejarmos um ou outro.

Depois seguimos com os nomes, que são os rótulos mais absurdos em minha humilde opinião, sou a favor de se olhar nos olhos do bebe e imaginar em qual nome ele se parece e não simplesmente por acharmos um nome ou outro bonito, até porque tudo o que é pra sempre precisa ser avaliado com muito cuidado

Já vi muitas pessoas que adorariam trocar o nome, por não gostar, eu por exemplo amo meu nome e o significado dele, mas ao me olhar no espelho me faço a seguinte pergunta: Qual nome me daria se eu tivesse a oportunidade de escolher? Você já se fez essa pergunta, já imaginou ser chamado por um outro nome? E se nós precisássemos trocar de nome depois de um certo tempo, qual nome você se daria?

Outros rótulos, são os padrões; gorda, magra, alta, baixa, feia, bonita, engraçada, mal-humorada, fraca, forte…

As listas são gingantes e intermináveis, os rótulos vão mudando a medida que vamos mudando, alguns nos acompanham por toda a vida, outros somente em algumas fases, mas o que quero falar é que seja quais forem, não os merecemos, não acredito que somos seres para sermos rotulados, somos muito mais do que rótulos. Somos Filhos!

Durante minha vida recebi os seguintes rótulos e dependendo da sua vida poderemos ter a coincidência de termos tido os mesmos rótulos, e por algum tempo aceitei uns, outros recusava, mas o grande problema foi em receber alguns desses rótulos e me adaptar a eles , acreditando que aquela era eu em definitivo.

Quando criança fui rotulada de:

Gorda

Sem pai

Pobre

Coitada

Vendedora de coco

Filha de mãe solteira

Cabelo ruim

E por aí vai, como disse lá em cima a lista é grande e vergonhosa, no entanto nenhum desses rótulos, me alcançaram por muito tempo, mas o tempo que permaneceram impediram que eu me encontrasse verdadeiramente.

Na adolescência, os rótulos começaram a ser mais duros e intolerantes, quando alcancei os meus 18 anos, tive minha primeira gravidez e com ela os rótulos também mudaram.

-Descuidada

-Sem futuro

– Fim igual da mãe

Os rótulos além de nos deixarem triste, são capazes de deixar marcas, que podem ser permanentes.

Quando fui morar com o pai dos meus filhos, fui chamada de:

Mulher de malandro

Sem vergonha

Abestada

Idiota

Fracassada

Quando dei um basta no casamento:

Mãe solteira

Mulher guerreira

Trabalhadora

Puta

As pessoas não entendem que cada fase da vida tem a sua importância e necessidade que aconteça, nada poderia mudar ou me tornar quem eu sou hoje se por acaso eu não tivesse vivido tudo o que vivi, como eu poderia ser hoje  uma mulher segura e confiante se eu não tivesse me tornado pro mundo “ mulher de malandro” como eu poderia ter realizado o meu maior sonho se algum dia eu não tivesse sido “fracassada” como eu enxergaria a beleza dos meu cachos se eu não tivesse sido “cabelo ruim” como poderia ter dado tanto valor pra minha mãe se eu não tivesse experimentado ser “mãe solteira”?

Se as pessoas colaborassem, se fossem mais justas, se o mundo fosse tão menos cheio de rótulos, poderíamos vencer e crescer todos em uma mesma velocidade.

Você já experimentou conversar com um senhor mais velho que nunca frequentou uma escola? Ou seja um “sem instrução”

Se um dia você tiver a sorte de conversar verá o quanto pode aprender com ele.

Já conversou com alguém que tenha o maior titulo de estudo, um mestrado, doutorado, MBA , ou seja lá qual for o maior titulo? Ou seja “um homem formado, instruído, qualificado”

Verás que também irá aprender algumas coisas

Experimente falar com alguma mulher que criou seus filhos sem a ajuda de nenhum homem. “mãe solteira” Ficará maravilhado de ouvir o que ela pode fazer para criar seus filhos e se sentirá envergonhado de lhe rotular e possivelmente criará rótulos novamente.

Experimente conversar com um casal que criou seus filhos, um com a ajuda do outro, lado a lado em parceria. Verá que esse por sua vez também tem uma bela história de vida e de conquista.

Converse com uma médica ou uma prostituta, verá que cada uma tem sua história de vida e a forma de ver a vida e nada pode ter o poder de elevar uma menosprezar outra, porque no fim de tudo os rótulos irão ficar, os rótulos serão esquecidos e o que vai tornar elas especiais ou não, será o legado que ambas deixaram em suas respectivas vidas.

É tão fácil rotular, é tão simples que chega a ser vergonhoso.

Como podemos olhar para um ser humano e dizer o que ele é, como posso me basear em uma parte de sua vida que eu  tenho acesso (no caso das redes sociais) e me sentir no direito de dizer o que essa pessoa é?

Uma foto é uma parte minúscula, microscópica da vida de um ser, ele não pode e nunca poderá ser avaliado, rotulado, julgado por isso.

Me espanto com tantos rótulos que me deparei nesse ultimo ano, não falo de mim, pois sou um ser antiaderente, nada adere a mim, nem mesmo os rótulos que eu quis colocar-me.

Existem pessoas que nasceram simplesmente para fazer isso, esse é o papel delas nessa vida, são os chamados “rotuladores” (eu acabei de rotula-los )

Viu como é muito fácil rotular alguém?

Somos o que somos, e o que fomos chamados pra ser, nada nem ninguém pode dizer o que você é agora, sabe porque?

Porque nossa vida nunca será uma linha reta e continua capaz de nos tornar tão previsível.

Não aceite rótulos, seja o que você quer ser hoje e jamais será amanhã.

E antes que você fale, os seres que não aceitam rótulos, não são os “sem rótulos” kkkkkkkk

Feliz 2018

Polly

 

 

Deixe uma resposta